— Por que não escolhe? — perguntou o velho.
O velho riu com bondade.
Em casa, mordeu o pão. Estava bom. Não era extraordinário, mas era macio e fresco. Teodoro percebeu algo estranho: pela primeira vez em meses, ele não estava pensando no pão que não havia comprado.
Teodoro não era infeliz. Mas também não conseguia se sentir completo. Cada manhã, ao escolher entre 23 variedades de suco de laranja, ele já sentia um aperto no peito. E se o suco de laranja com manga fosse melhor? E se o orgânico fosse mais saudável, mas o de polpa grossa fosse mais saboroso? Ele saía da prateleira com duas garrafas, devolvia uma, pegava outra, até que o balconista suspirava. Livro O Paradoxo Da Escolha
O vizinho, confuso, foi embora. Teodoro ficou ali, sentindo o peso leve de quem finalmente entendeu:
— Você se arrepende de não ter virado fotógrafo? Ou de não ter casado com a outra?
— Talvez existisse uma vida melhor atrás de outra porta. Mas esta é a minha. E decidi que é boa o suficiente. — Por que não escolhe
— Moço, são 8h15.
Teodoro pensou por um momento. Olhou para a namorada que ria dentro de casa, para o livro de design aberto na mesa, para o pão simples que aprendera a gostar.
Seis meses depois, Teodoro não era o homem mais rico ou mais realizado do vale. Mas, ao entardecer, sentado na varanda com um café qualquer (não o melhor, mas quente e seu), ele sorria. Em casa, mordeu o pão
Sua vida era uma lista interminável de escolhas. Carreira: design, marketing, programação, fotografia? Teodoro começou quatro faculdades. Namoro: morena, loira, ruiva, artista, engenheira, advogada? Ele instalou oito aplicativos de relacionamento e cancelava encontros enquanto arrumava a mala para outros.
Um vizinho perguntou:
— Você já errou. Errou ao acreditar que existe uma porta certa. Enquanto você examina as mil opções, o tempo passa. Lá fora, a vida não espera.